O infectologista Claudilson Bastos informa que queda na cobertura vacinal favorece o aumento de ocorrências da doença, considerada uma das mais contagiosas e imunopreveníveis
O aumento de casos de sarampo em São Paulo reacende um alerta para a importância da vacinação como estratégia de prevenção da doença, que tem como principais sintomas febre alta, manchas vermelhas na pele, olhos vermelhos, tosse seca e mal-estar intenso. Considerado um dos vírus mais contagiosos conhecidos, o sarampo pode provocar complicações graves, como pneumonia, encefalite, cegueira e até mesmo morte, especialmente em crianças, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade.
Atualmente, o Brasil registra 23 casos da doença. As ocorrências estão concentradas nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Em virtude disso, o Ministério da Saúde intensificou a vacinação da população nessas cidades. Na Bahia, não há nenhum registro de sarampo. Os últimos casos confirmados, conforme a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, ocorreram em 2020, quando foram registrados sete casos associados ao surto iniciado em 2019.
Apesar de não ter registro de transmissão sustentada do vírus no estado, de acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), a manutenção da cobertura vacinal alta é imprescindível. “A propagação do vírus voltou devido à redução da cobertura vacinal nos últimos anos, abrindo espaço para o reaparecimento da doença, que já estava sob controle no país desde 2024, quando o Brasil tinha recuperado o status de zona livre da circulação endêmica, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde. Mas, quando parte da população deixa de se imunizar, o vírus volta a circular. Por isso, é fundamental seguir o calendário de vacinação de cada cidade para evitar novos surtos”, afirma o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos.
O Calendário Nacional de Vacinação prevê a imunização contra o sarampo com a primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de vida da criança e a segunda dose, preferencialmente da tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e catapora), aos 15 meses. As pessoas que têm até 59 anos, e não se vacinaram na infância, devem procurar um posto de saúde para serem imunizadas. Além da rede pública, o Sabin Diagnóstico e Saúde também dispõe, na regional Salvador e Barreiras, da vacina tríplice viral.
Transmitido, principalmente, por via respiratória, o sarampo apresenta alto potencial de disseminação, o que exige atenção redobrada das autoridades de saúde e da população. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para diversas outras, especialmente em ambientes fechados e com baixa cobertura vacinal.
“O contágio do sarampo é semelhante, por exemplo, ao da tuberculose, que é transmitida diretamente de pessoa para pessoa por via aérea. Então, a pessoa contaminada deve ficar em isolamento e o contato tem que ser feito com todas as precauções para que não tenha riscos de contaminação, como o uso de máscaras, preferencialmente N95 ou PFF2”, esclarece.
Além do cenário observado no estado de São Paulo, os casos registrados em outros países, a exemplo da vizinha Bolívia, dos Estados Unidos e de algumas nações europeias e da Ásia Central, reforçam que o sarampo continua circulando mundialmente, tornando ainda mais importante a manutenção de altas coberturas vacinais.
Em virtude deste cenário, pessoas que precisam ou desejam ir a essas regiões com casos da doença devem procurar um serviço de saúde para uma avaliação. “Quem pretende viajar para locais com registro de casos e não se recorda se foi vacinado deve buscar orientação médica. Em algumas situações, pode haver indicação de uma dose de reforço, conforme as recomendações das autoridades de saúde”, explica.
O infectologista reforça que a vacina contra o sarampo é segura e eficaz, mas que existem situações específicas em que a aplicação deve ser avaliada por um profissional de saúde por ser é um imunizante com vírus vivo atenuado (enfraquecido), como em pessoas que apresentam doenças agudas febris, moderadas ou graves.
Exames laboratoriais ajudam no diagnóstico
Embora o diagnóstico do sarampo possa ser realizado de forma clínica, baseado nos sintomas apresentados pelo paciente, a confirmação laboratorial é considerada o padrão-ouro para identificar a doença e diferenciá-la de outras com os sinais parecidos. A sorologia é o método diagnóstico mais utilizado e pode ser realizada por meio da detecção de anticorpos IgM e IgG em amostra de sangue.
“A sorologia do sarampo é fundamental para confirmar infecções agudas por meio da detecção de anticorpos IgM específicos no sangue. Ela valida o diagnóstico clínico do médico em pacientes com febre e manchas vermelhas, diferenciando o sarampo de outras doenças exantemáticas e ajuda a orientar ações rápidas de vigilância epidemiológica e bloqueio de possíveis surtos”, afirma a coordenadora do Núcleo Técnico Operacional (NTO) do Sabin, Híbera Brandão.
O infectologista Claudilson Bastos reforça ainda que, em situação de surto, a pessoa procure um posto de saúde de imediato, independentemente da sorologia.
Foto: Marcos Welber/Acervo Sabin

























