“Ele não fala da gestão dele”, apontou o candidato ao Senado pelo Time de Lula durante encontro com candidatos do PDT, em Salvador
Depois de quase 16 anos controlando a gestão da Prefeitura de Salvador, o candidato de Bolsonaro ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), tem buscado fora do estado projetos e ações para apresentar como propostas em sua campanha. Para Rui Costa (PT), a “importação” de referências expõe uma fragilidade do adversário: a falta de bons exemplos da sua própria administração que possam ser apresentados aos baianos como modelo.
“O candidato a governador [ACM Neto] diz que viajou para Goiás, viajou para São Paulo, mas ele não fala da gestão dele em Salvador”, constatou Rui, nesta segunda-feira (17), durante encontro com candidatos do PDT, em Salvador. O ex-governador reforçou o argumento ao dizer que o caminho natural de quem considera bem-sucedida a própria gestão seria apresentá-la como credencial para o cargo que pretende ocupar. “Se você tem competência, fez uma boa administração, você diz: ‘Olha, eu vou fazer na Bahia inteira o que eu fiz em Salvador’”, disse. No entanto, o ex-prefeito não tem apresentado nenhum projeto da gestão dele, ou do atual prefeito, como referência.
A saúde foi uma das áreas escolhidas por Rui para confrontar o desempenho da administração municipal com o discurso da oposição. Ele comparou a estrutura mantida por outras capitais brasileiras com a realidade de Salvador e destacou a reduzida participação da rede municipal no atendimento hospitalar.
Rui lembrou também das duas policlínicas construídas pelo Governo do Estado em Salvador. Quando governador, ele ofereceu as unidades de Escada e do Saboeiro prontas e equipadas para serem assumidas pelo município, mas a gestão de ACM Neto recusou a transferência sob a justificativa de não possuir recursos para mantê-las. Nesse contexto, ele questionou qual a credencial da oposição para fazer da saúde um dos eixos de crítica ao Governo do Estado. “Essa gente tem legitimidade, tem autoridade moral para falar de saúde? Na minha opinião, não”, afirmou.
Para o ex-governador e ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, a dificuldade de apontar realizações próprias não se limita à passagem de ACM Neto pela Prefeitura de Salvador. Ele estendeu a comparação às administrações de aliados do candidato em Feira de Santana e Vitória da Conquista e questionou por que experiências dessas cidades também não aparecem como referência no programa defendido pela oposição.
Ao lado do senador Jaques Wagner, candidato à reeleição, Rui Costa busca uma cadeira no Congresso Nacional na chapa liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A coligação do grupo governista é formada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e pelos partidos MDB, PSD, PSB, Avante e PDT.
Fotos: Ulisses Dumas/ Divulgação

























