Duas décadas após o ingresso da primeira turma, profissionais relembram o início da trajetória e acompanham as transformações da segurança portuária
Há 20 anos, em 18 de agosto de 2006, começava uma nova etapa na história da segurança portuária na Bahia. Naquela data, os aprovados no primeiro concurso público realizado pela Autoridade Portuária Federal – CODEBA assinavam seus primeiros contratos no auditório da Companhia, em Salvador. Entre os 60 profissionais inicialmente convocados para a Guarda Portuária estavam servidores que, duas décadas depois, continuam contribuindo para a segurança e para o funcionamento dos portos baianos.
A data marca não apenas o aniversário da primeira turma, mas também duas décadas de transformação da atividade e de construção de trajetórias profissionais dentro da CODEBA.
Entre os integrantes daquela turma está Esdras Nunes, que atualmente ocupa a chefia da Guarda Portuária. Ao olhar para os 20 anos de carreira, ele destaca o vínculo construído com a atividade e a responsabilidade de acompanhar sua evolução.
“Guarda Portuária tem uma história muito bonita. Eu fico muito feliz por fazer parte da primeira turma e, agora, poder contribuir ainda mais com essa história. Eu realmente sou Guarda Portuária. Visto a camisa, gosto demais da função e entendo de maneira significativa as responsabilidades que são agregadas com isso”, afirma Esdras.
Uma carreira que começou há duas décadas
O concurso público de 2006 também contemplou vagas para as áreas administrativa e jurídica, mas foi na Guarda Portuária que ocorreu o maior número de contratações. Para muitos dos aprovados, o ingresso na CODEBA representava uma oportunidade profissional. Para outros, como Lucas Bernardo, então com 21 anos, a ideia inicial era permanecer na Companhia apenas temporariamente.
Militar de carreira da Marinha, Lucas buscava uma oportunidade que lhe permitisse permanecer na Bahia. A expectativa era conciliar o trabalho com a faculdade e, posteriormente, seguir outros caminhos.
“A minha ideia, no início, era ficar até me formar na faculdade. Nessa brincadeira, fui gostando da atividade e estou aqui há 20 anos”, conta.
A permanência se transformou em uma carreira construída dentro da Companhia. Atualmente, Lucas é chefe de Operações do Porto de Salvador. Em 2025, passou um ano no Rio de Janeiro, onde concluiu o doutorado em Ciências Navais na Escola de Guerra Naval da Marinha, com apoio da CODEBA. De volta à Bahia, assumiu a chefia de Operações do Porto de Salvador.
A história de Lucas representa uma das características marcantes da primeira turma: profissionais que ingressaram na Companhia em 2006 e, ao longo dos anos, ampliaram suas responsabilidades, qualificações e áreas de atuação.
Da segurança patrimonial às novas tecnologias
Ao longo dessas duas décadas, a Guarda Portuária passou por mudanças significativas. Se, no início, as atividades estavam mais concentradas na segurança patrimonial, fiscalização e controle de acesso, a evolução das operações portuárias ampliou as atribuições e exigiu novas competências dos profissionais.
Atualmente, os cerca de 126 Guardas Portuários da CODEBA atuam em diferentes frentes relacionadas à segurança e às operações nos portos. Entre as atividades estão o monitoramento por aeronaves remotamente pilotadas, a condução de embarcações de serviço público e a atuação em situações de emergência.
Cerca de 30 profissionais estão habilitados como condutores de embarcação de serviço público, enquanto outros possuem capacitação para operação de drones e Atendimento Pré-Hospitalar Tático. A Guarda Portuária também representa aproximadamente 85% do efetivo da brigada da Companhia, participando das ações de prevenção e resposta a emergências.
A evolução da atividade também é percebida por quem vivenciou esse processo desde o início. Para Esdras, a Guarda Portuária passou a exercer um conjunto cada vez mais amplo de responsabilidades dentro da estrutura portuária.
Orgulho que ultrapassa os portões dos portos
A trajetória dos profissionais da primeira turma também se estende para além das atividades funcionais. É o caso de Jorge Weber, que concilia a atuação como Guarda Portuário com a participação em competições de triatletismo, levando o nome da CODEBA e da Guarda Portuária para diferentes espaços.
“Eu me sinto muito feliz e honrado por fazer parte da Guarda Portuária e poder contribuir com essa história. E, através do atletismo, tenho a oportunidade de representar a Guarda e a CODEBA. É uma satisfação muito grande vestir essa camisa nas competições e levar o nome da Companhia para outros espaços, sempre com muito orgulho”, declara Weber.
Para ele, representar a Companhia no esporte é também uma forma de levar consigo a identidade construída ao longo dos anos como servidor portuário.
Investimento, capacitação e valorização
Celebrar os 20 anos da primeira turma também representa olhar para o futuro. A CODEBA vem estruturando novas medidas para fortalecer a Guarda Portuária, ampliar a capacidade operacional e oferecer melhores condições para o desempenho das atividades de segurança.
Entre as ações está o reequipamento da Guarda Portuária, em conformidade com a Portaria nº 584/2025 do Ministério dos Portos e Aeroportos, que prevê investimentos em equipamentos e soluções voltados à segurança portuária.
O planejamento contempla a aquisição de veículos operacionais, destinados ao deslocamento rápido das equipes e ao patrulhamento das áreas portuárias; a aquisição de drones, para monitoramento aéreo, controle perimetral e apoio às operações de segurança; e a implantação de sistemas de inteligência dedicados.
O processo de fortalecimento também inclui a realização de cursos de capacitação e treinamentos, com foco na atualização profissional e no desenvolvimento de novas competências para os Guardas Portuários e demais servidores envolvidos nas atividades de segurança e operações.
Outra iniciativa prevista é a inauguração do Centro Integrado de Segurança Pública Portuária, no Porto de Aratu, que deverá ampliar a integração das ações de monitoramento, inteligência e resposta, fortalecendo a capacidade de atuação coordenada na área portuária.
As medidas fazem parte de uma estratégia de modernização que acompanha a transformação das operações portuárias e reconhece a importância dos profissionais que atuam diariamente na proteção das instalações, das pessoas e das operações.
Uma história construída por pessoas
Ao completar 20 anos, a primeira turma de Guardas Portuários deixa como legado não apenas a marca de ter inaugurado um novo ciclo de contratações na CODEBA, mas também histórias profissionais construídas ao longo de duas décadas.
São servidores que ingressaram jovens, construíram carreiras, assumiram novas responsabilidades, buscaram qualificação e acompanharam a transformação dos portos baianos. Vinte anos depois, os profissionais que chegaram à CODEBA em 2006 permanecem como parte da história da Companhia — e também como testemunhas das mudanças que transformaram a Guarda Portuária em uma atividade cada vez mais especializada, tecnológica e integrada às operações portuárias.
Foto Lucas Bernardo

























