Demanda por água tratada no país a crescer 59,3% nas próximas duas décadas, o que pode levar a comprometer o abastecimento
A elevação das temperaturas, a expansão das cidades e o avanço econômico devem levar a demanda por água tratada no país a crescer 59,3% nas próximas duas décadas. Ao mesmo tempo, as projeções indicam que, até 2050, a temperatura máxima nas cidades brasileiras deve subir cerca de 1°C e a mínima, 0,47°C, em comparação a 2023. Além disso, o número de dias chuvosos deve diminuir, enquanto os eventos de chuva intensa se tornarão mais frequentes. Ou seja, o cenário aponta para um risco: o Brasil pode viver uma nova era de racionamentos de água até 2050.
Em média, o país enfrentaria 12 dias de interrupção no abastecimento por ano, mas, em regiões mais secas como Nordeste e Centro-Oeste, o número pode ultrapassar 30 dias. A estimativa está no estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, do Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria Ex Ante. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), em 2023 foram consumidos 10,7252 bilhões de m³ de água. Esse volume corresponde a uma média diária.
Com uma área de mais de 8 milhões de km2 e mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é o quinto maior país do mundo. Com essa dimensão, o estudo aponta que é natural que as tendências de consumo de água variem de uma região para outra no país. De acordo com os modelos estatísticos do estudo, quanto maior o grau de urbanização de uma cidade, maior o consumo diário per capita de água. A cada aumento de um ponto percentual na população urbana do município, espera-se um crescimento de 0,96% no consumo de água.
Outros aspectos que afetam o consumo de água são a tarifa e a temperatura. Foi constatado que grandes variações de preço estão associadas a pequenas variações na demanda, o que reflete um comportamento típico de serviços com preços regulados. Além disso, a temperatura máxima das cidades também é um fator relevante para o consumo, interferindo de forma positiva no nível de demanda: quanto mais quente, maior o consumo per capita diário.
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