Projeto amplia atuação territorial e leva cinema africano contemporâneo para dentro da rede pública de ensino em Salvador
A Mostra de Cinema Africano – Espelhos d’África realiza sua 3ª edição em Salvador entre os meses de março e abril, com uma mudança de eixo: desta vez, a programação acontece diretamente em escolas públicas do Subúrbio Ferroviário. Idealizado por Sabrina Andrade e Wendel Medina, e com curadoria de Chantal Durpoix, a proposta leva sessões de filmes africanos contemporâneos acompanhadas de debates para estudantes da rede municipal e estadual, ampliando o acesso e aproximando o audiovisual de contextos educacionais.
As primeiras exibições já foram realizadas na Escola Municipal Anfilófio de Carvalho, em Periperi, e na Escola Municipal Santa Terezinha, no Alto da Terezinha, com sessões nos dois turnos escolares. A próxima escola a receber a mostra será o Colégio Estadual Cleriston Andrade, com atividades nos três turnos, incluindo uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Consolidada como uma iniciativa dedicada à difusão de cinematografias africanas no Brasil, a mostra apresenta obras de diferentes países do continente, reunindo ficção, documentário e animação que atravessam temas como cotidiano, infância, memória e relações sociais. A curadoria desta edição reúne produções de países como Moçambique, Cabo Verde, Togo e Egito, evidenciando a diversidade de linguagens e territórios do cinema africano contemporâneo.
Entre os filmes exibidos estão:
- Zizou – Khaled Moeit (Egito/França, 2025)
- Mon vélo (Minha Bicicleta) – Francky Tohouegnon (Togo, 2024)
- Os Pestinhas e o Ladrão de Brinquedo – Nildo Essá (Moçambique)
- A Fita Cor de Rosa – Mon de Anjo (Cabo Verde)
O diferencial desta edição está na centralidade das escolas como espaço de exibição e formação de público. Ao ocupar o ambiente escolar, o projeto cria condições para que estudantes tenham contato direto com produções raramente acessíveis em circuitos comerciais, estimulando leitura crítica de imagens e ampliando repertórios culturais. As sessões são seguidas por conversas mediadas, incentivando o diálogo e a troca de percepções entre jovens, educadores e equipe do projeto.
A iniciativa também dialoga com a Lei 10.639/03 ao oferecer suporte audiovisual para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira. Nesse contexto, o cinema se apresenta como ferramenta pedagógica e dispositivo de reflexão, contribuindo para a
construção de outras perspectivas sobre o continente africano e suas conexões com o Brasil.
Desde sua primeira edição, realizada em 2019, a Mostra Espelhos d’África vem construindo um público interessado em produções africanas e ampliando sua presença em diferentes territórios. Após passar por espaços culturais e alcançar outras cidades baianas, o projeto retorna agora com uma proposta mais concentrada e territorializada, fortalecendo vínculos com comunidades do Subúrbio Ferroviário.
A programação inclui sessões temáticas distribuídas entre escolas públicas da região, além de uma sessão de encerramento e uma roda de conversa no Espaço Cultural Boca de Brasa – Subúrbio 360. Todas as atividades são gratuitas.
O projeto Mostra de Cinema Africano – Espelhos d’África é produzido pela Aiocá Produções (@aiocaproducoes) e foi contemplado pelo edital Territórios Criativos – Ano II com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, Governo Federal.
Foto: Caroline David | @carolfotografia.ba


























