O filme Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos, conquistou duas premiações no Berlin International Film Festival de 2026. O longa venceu o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus, voltada a produções para o público jovem que abordam temas como amadurecimento, identidade e transformações sociais. A cerimônia ocorreu no último sábado (21).
Lázaro Ramos comemorou a conquista e destacou a recepção do público ao filme. “Não serei modesto neste meu pronunciamento — Feito Pipa merece mesmo ganhar esses dois prêmios. Falo como ator que participou do filme, mas também como espectador que se emocionou com essa história e viu o público emocionado em Berlim também”, declarou o ator em comunicado. Posteriormente, ele voltou a comentar a premiação em suas redes sociais.
Os prêmios foram recebidos pelo diretor Allan Deberton ao lado do produtor Marcelo Pinheiro, do roteirista André Araújo e da diretora assistente Luciana Vieira. O cineasta classificou o momento como “maravilhoso para o cinema brasileiro”.
O júri responsável pelo Urso de Cristal foi formado por sete jovens entre 11 e 14 anos, que destacaram o impacto emocional da obra. Segundo o grupo, “as emoções de cada personagem individualmente nos tocaram profundamente. Fomos envolvidos por uma história emocionante, como se fôssemos parte da ação”.
Já o Grande Prêmio do Júri Internacional foi concedido por um grupo de jurados adultos, que ressaltou a força narrativa do filme e o desempenho do jovem protagonista Yuri Gomes. O júri também elogiou as atuações de Teca Pereira e a construção do personagem Gugu, destacando a forma sensível e por vezes bem-humorada com que o longa aborda dilemas existenciais.
O Festival de Berlim é considerado um dos três eventos mais importantes do cinema mundial, ao lado do Cannes Film Festival e do Venice Film Festival.
Sobre o filme
A trama acompanha Gugu (Yuri Gomes), um garoto de quase 12 anos apaixonado por futebol que vive com a avó Dilma (Teca Pereira), uma professora aposentada que o cria com liberdade e afeto, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do menino com o pai, Batista (Lázaro Ramos), é marcada por distanciamento, expectativas não ditas e afetos reprimidos.
Os dois vivem próximos à barragem de Araújo Lima, em Quixadá, que após anos de seca começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa — metáfora para memórias e segredos familiares que emergem ao longo da história. Quando a avó passa a apresentar problemas de memória, Gugu tenta encontrar uma forma de ajudá-la, ao mesmo tempo em que busca evitar ir morar com o pai.
O filme é uma produção das empresas Deberton Filmes e Biônica Filmes, com distribuição nacional da Paris Filmes e vendas internacionais pela M-appeal.
Para Allan Deberton, o reconhecimento internacional reflete o momento positivo da produção audiovisual do país. “Ver nossas histórias alcançando o mundo e sendo celebradas internacionalmente mostra a potência criativa do nosso país. O cinema que estamos fazendo hoje emociona, conecta e cria identificação, independentemente da língua ou da cultura”, afirmou.

























