O governo da China se manifestou nesta terça-feira (7) após a inclusão da montadora de carros elétricos BYD na chamada “lista suja” do trabalho escravo no Brasil. O cadastro reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão após conclusão de processos administrativos.
Por meio do Ministério das Relações Exteriores, o governo chinês declarou que acompanha o tema com atenção e reforçou que as empresas do país devem respeitar a legislação local. “A China sempre exigiu que empresas chinesas operem conforme as leis e regulamentos”, informou o posicionamento oficial. A pasta acrescentou ainda que o país “vê com grande importância a proteção dos direitos e interesses dos trabalhadores”.
A atualização mais recente da lista incluiu 169 novos empregadores, um aumento de 6,28% em comparação com a divulgação anterior. Entre eles, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas. Com isso, o número total de nomes no cadastro chega a cerca de 613.
Divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho, sempre em abril e outubro, a “lista suja” reúne empregadores responsabilizados após decisão administrativa definitiva. A permanência no cadastro é de dois anos, período em que é necessário não reincidir e regularizar a situação para sair da relação.
Caso BYD
A inclusão da BYD ocorreu após o resgate de 220 trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante obras da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo as autoridades, os operários estavam alojados em condições inadequadas de higiene e conforto e eram vigiados por seguranças armados que restringiam a circulação. Também houve retenção de passaportes e contratos com cláusulas consideradas ilegais, como jornadas excessivas e ausência de descanso semanal.
Um trabalhador ouvido pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia associou um acidente com serra ao cansaço provocado pela falta de folgas. O órgão também apontou que os trabalhadores entraram no país com vistos para serviços especializados incompatíveis com as atividades realizadas na obra.
Na época, a montadora informou que as irregularidades foram cometidas pela construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda e comunicou o encerramento do contrato com a empresa. A BYD declarou ainda que não tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana e providenciou a transferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região.
No fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a montadora e duas empreiteiras após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Após o acordo, a empresa afirmou manter “compromisso inegociável com os direitos humanos” e informou que se manifestaria nos autos do processo.
A BYD não se manifestou sobre a inclusão na lista.
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