Fotos: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva e Eduardo Santos / Secom PMS
Realizado pelo quinto ano consecutivo, o evento Mulheres Negras Movem o Mundo, promovido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), homenageou, nesta sexta-feira (31), 50 servidoras de destaque na gestão municipal, na esteira das comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado no último dia 25 de julho. A celebração aconteceu no Hotel Mercure, no Rio Vermelho, e contou com a presença do prefeito Bruno Reis, da vice-prefeita Ana Paula Matos, da secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Fernanda Lordêlo, e da titular da Semur, Isaura Genoveva, além de outras autoridades municipais.
O prefeito Bruno Reis destacou a importância do reconhecimento da vida e do trabalho das servidoras negras da Prefeitura. “Apesar das dificuldades, angústias e aflições do serviço público, tudo o que enfrentamos, no fim, vale a pena. Neste período à frente da Prefeitura, uma de nossas prioridades foi construir políticas públicas e iniciativas para promover a igualdade racial, combater o racismo e colocar em prática políticas de reparação”, disse.
“Políticas que possam fortalecer a população negra, em especial as mulheres, são prioridades da nossa gestão. Uma homenagem como essa tem um simbolismo enorme. É reconhecer o trabalho dessas mulheres e estimular para que façam ainda mais a diferença. E, por mais que exista no serviço público uma hierarquia, todos trabalham em conjunto. E se não fosse pelo trabalho dessas 50 mulheres, e de tantas outras que dedicam seu suor e trabalho, não teríamos uma gestão de sucesso”, completou o chefe do Executivo Municipal.
A secretária Isaura Genoveva ressaltou a importância de celebrar as mulheres negras que movem as ações também na gestão municipal. “Chegar à quinta edição deste evento é motivo de imensa alegria. É um reconhecimento, tanto do público externo quanto da gestão, que demonstra um olhar significativo sobre este importante trabalho realizado aqui. Ninguém constrói nada sozinho, e todos aqui estamos trabalhando por uma Salvador ainda melhor. Trabalhar com reparação é algo que exige dedicação diuturna, e fazer um evento com essa qualidade, também é reconhecer a trajetória dessas mulheres”, afirmou.
A vice-prefeita Ana Paula Matos destacou o Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), uma das principais ações municipais para construir uma cidade antirracista. “Eu acredito numa gestão com políticas públicas antirracistas, acessíveis e construídas por e para pessoas que são a cara dessa cidade. Mulheres negras que, muitas vezes, são mães solo, chefes de famílias. Mães, avós, amigas, madrinhas, tias e primas de uma comunidade que, por diversas vezes, se protegem em rede. E que tem o direito e condições de ganhar seu dinheiro e sustentar suas famílias, com acesso a políticas públicas inclusivas, acesso a microcrédito, oportunidades de trabalho, emprego e renda prioritariamente para mulheres negras. Isso é reparação”, disse.
Oilda Rejane, diretora de Promoção da Igualdade Étnico-Racial e coordenadora do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), afirmou que, desde 2022, mais de 160 servidoras negras da Prefeitura já foram homenageadas pelo programa. “Elas foram indicadas pelos diversos órgãos da administração municipal. O principal objetivo dessa homenagem é referenciar e reverenciar as mulheres negras que movem o mundo a partir de sua atuação na Prefeitura de Salvador”, comentou.
Segundo Oilda, a homenagem se faz bastante importante por conta da necessidade de reconhecer trajetórias que, por algum tempo, foram tornadas invisíveis. “É preciso salientar que as mulheres negras movem nossa cidade e precisam ter suas trajetórias reconhecidas. Toda mulher negra que move o mundo já foi uma menina negra, que precisou sonhar e que ousou desafiar todas as estruturas. Então, é preciso entender Salvador como essa cidade negra e feminina. Por isso, não se trata apenas de uma homenagem, mas de uma iniciativa de reconhecimento dessas trajetórias. Porque reconhecer também é reparar”, completou.
Homenagens – A homenagem da Prefeitura é fruto da parceria da Semur com a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), e se integra ao Circuito Mulheres Negras em Movimento e ao PCRI, que trabalha junto aos servidores públicos para o combate ao racismo institucional, mobilizando, em rede, todos os órgãos da Prefeitura, auxiliando no fortalecimento deste trabalho e das estratégias para combater o racismo.
A servidora Georgina Pedreira foi uma das convidadas a receber a homenagem diretamente das mãos do prefeito Bruno Reis. A profissional, de 70 anos, dedicou os últimos 43 anos como parte da Superintendência de Obras Públicas do Salvador (Sucop). “Foi uma felicidade ser escolhida para receber esta homenagem, ter meu trabalho reconhecido. Nestes anos todos, sempre busquei fazer com que todos fossem reconhecidos pelos seus esforços. E hoje tenho meu trabalho reconhecido. Me sinto lisonjeada”, comentou.
Lotada na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), a servidora Marlene Fonseca, com 46 anos de Prefeitura, também agradeceu a homenagem. “É um momento de grande felicidade receber este reconhecimento. Fiquei surpresa com a lembrança, pois sempre participo desta celebração, e hoje estou aqui como parte das comemorações”, disse.
Djara Mahim, subcoordenadora de Cuidados Transversais em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), também foi homenageada, e destacou a importância do combate ao racismo institucional na prática. “É uma honra este reconhecimento como mulher negra e representante de uma classe. E ter mulheres negras nestes papéis de liderança é de grande importância para todas nós. Principalmente na área de saúde, onde ainda há muito racismo, e isso se torna uma luta pessoal e profissional. Essa missão traz ainda mais reconhecimento, orgulho e responsabilidade ao longo do processo”, afirmou Djara.
Titular da. SPMJ, Fernanda Lordelo destacou a importância da manutenção do trabalho de reparação histórica realizado pela Semur. “É de grande importância manter e reforçar essa política pública em nossa cidade. Salvador é uma cidade feminina, com 54,4% da população composta por mulheres. E também somos uma cidade de maioria negra, somando mais de 80% da população – bem como somamos 72% da população mais carente e cujas famílias são lideradas por mulheres. As mulheres negras movem esta cidade. Nosso trabalho é fazer com que nossas crianças tenham uma vida naturalmente potente, sem precisar se esforçar para ocupar os espaços, nem de validação para ser o que elas têm que ser. E essa transformação não é fácil, mas é possível”, disse.

























