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Postado em 22/01/2016 1:06

Base Comunitária de Segurança (BCS) de Fazenda Coutos completa quatro anos com resultados satisfatórios

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Quatro anos se passaram desde a inauguração da Base Comunitária de Segurança (BCS) de Fazenda Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. De lá para cá, mais do que a redução de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) – uma das metas do Programa Pacto Pela Vida (PPV), do Governo do Estado -, houve o aumento da autoestima da população após a oferta de projetos sociais em áreas como esporte e música. A instalação da base, aliada às rondas policiais que inibem os assaltos a lojas e aos moradores, resultou também no fortalecimento do comércio local, com a abertura de novos estabelecimentos.

Nestes quatro anos, além do que já era previsto, algumas surpresas ocorreram. Os projetos sociais executados por policiais militares voluntários revelaram talentos juvenis, a exemplo de Brenda Santos Cruz, 14 anos, moradora de Paripe. Participante do projeto Primeiro Som, que tem como dois dos quatro instrutores os soldados PM Rafael Albuquerque e Henrique Agrellos, a garota impressiona pela afinação. Por este motivo, os militares que conduzem o projeto musical se empenharam e conseguiram uma vaga para ela nos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), onde Brenda participa como solista.

“Sou soprano lírico ligeiro. No Neojiba, aprimorei mais ainda. A base [comunitária] e o Cras foram as coisas mais importantes que aconteceram na minha vida. Sem eles, eu não estaria hoje no Neojibá, não teria participado do show de Ivete Sangalo para o [Hospital] Martagão Gesteira com participação de Carlinhos Brown, Preta Gil, Claudia Leitte e vários outros talentos”, disse Brenda, que é um dos 76 alunos do projeto realizado pela BCS Fazenda Coutos também em São Thomé de Paripe, por meio de parceria com a associação de moradores.

O Primeiro Som oferece aulas de violino, teclado, canto, flauta e violão. De acordo com o soldado Albuquerque, a participação dele enquanto voluntário do projeto se deu pela compreensão de que a música proporciona mudanças saudáveis na vida de quem é tocado por ela. “Acredito que a música, realmente, tem como transformar o futuro desses jovens de uma forma lúdica. Na verdade, passamos uma percepção musical, pois não somos formados em música, mas temos experiência. Queremos que a música influencie para que eles vislumbrem novos horizontes”.
 
Boxe
Boa parte dos projetos desenvolvidos pela BCS é realizada no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Fazenda Coutos, como o Luta Cidadã – Boxe, que utiliza o pugilismo como ferramenta de inclusão social de 155 jovens de Fazenda Coutos e região. Com 17 anos, duas medalhas conquistadas em campeonatos locais e o sonho de se tornar um boxeador profissional, Marcos Ribeiro afirma que sempre desejou competir nos ringues, mas a vontade tinha um forte adversário: o valor da mensalidade cobrado pelas academias.”Já tinha procurado o boxe antes, mas só estava encontrando aulas de R$ 200. A renda da minha família é muito baixa e não dava para participar. De repente, apareceu esse projeto da Polícia Militar, 0800, gratuito. Me interessei e estou aqui até hoje dando o meu melhor”, comemora o adolescente.
Marcos garante que não vai se esquivar dos desafios futuros. “Fui vice-campeão baiano em 2014 e vice-campeão Nordeste, ano passado, em um campeonato em Camaçari. Penso em seguir carreira, ganhar meu primeiro campeonato brasileiro, participar da seleção brasileira, caminhar para o boxe profissional”.
Além dos policiais militares responsáveis por ministrar as aulas de boxe, os rapazes e moças do projeto têm um reforço de peso. A boxeadora tetracampeã baiana, campeã brasileira e campeã paulista Iasmin Paixão, 22, treina no Cras Fazenda Coutos com as jovens promessas do pugilismo e compartilha com eles a experiência nos ringues.
A atleta se enxerga nos jovens, porque foi através de um projeto social realizado no bairro de Valéria que ela, aos 13 anos, teve o primeiro contato com a modalidade esportiva. “Hoje, eu vivo do boxe. Há três anos, recebo a Bolsa Atleta do Governo do Estado [e] também às vezes ganho patrocínio [da iniciativa privada]. Graças a Deus, sou uma referência para estes jovens”. Uma das garotas que se espelham na boxeadora profissional é Carina Ferreira, 15, moradora de Nova Brasília de Valéria. “Comecei a fazer boxe por defesa pessoal, mas também para seguir frente [e] ter uma carreira igual a da Iasmin”.
Karatê
Uma das artes marciais mais praticadas em todo o mundo, o Karatê–Do é outra luta que tem ajudado 80 crianças e adolescentes a compreender a importância do respeito, disciplina e dos hábitos de vida saudáveis. No projeto Karatê do Saber – Guerreiros de Fazenda Coutos, eles são treinados pelos soldados Alisson Guimarães e Renan Santos.
Além de compartilharem a habilidade enquanto karatecas, os militares fazem questão de mostrar aos alunos que comprometimento e boa vontade são ingredientes fundamentais para superar os obstáculos da vida. “Não é só a questão esportiva. A gente ensina, na verdade, uma filosofia de vida através do esporte Karatê-Do. Traduzimos tudo isso nos aspectos comportamentais, seja no relacionamento familiar ou na escola. Cobramos resultados nas notas [do colégio]. Então, eles não vêm aqui só para aprender a dar chutes e socos. Queremos que eles sejam cidadãos conhecedores dos seus direitos e deveres”.
Lavínia Araújo, 16, é uma das grandes promessas do grupo. Apaixonada pelo Karatê-Do, ela ainda não sabe se seguirá carreira no esporte, pois quer ser pediatra. Mas revela que aprendeu muito com a arte marcial desde que ingressou no projeto, há três anos. “O karatê veio para mudar a vida da gente. Antes, não tinha nenhum projeto aqui. Foi o primeiro a abrir as portas para a gente. Sempre tive vontade de fazer, sempre gostei de filme de luta, mas nunca tive oportunidade”, lembra Lavínia, que foi vice-campeã baiana (2014) e terceira colocada (2015), ambas na categoria Juvenil Feminino.
 
Pais tranquilos
Se o envolvimento dos jovens com as atividades os deixa empolgados, os pais, avós, tios e tias responsáveis por eles estão mais tranquilos, pois sabem que parte do tempo livre deles está sendo preenchida de forma saudável. A diarista Zélia Gomes, moradora de Fazenda Coutos, é mãe de Iago Gomes Martelo, 14, aluno dos projetos Karatê do Saber e Primeiro Som. Para ela, as atividades são uma forma segura de contribuir para a formação física e intelectual do adolescente.
“Ele tem a responsabilidade de estar participando e aprendendo. Isso estimula mais ainda. Eu não forço. Ele vem porque gosta. Fico muito mais tranquila porque sei para onde ele está indo. Os dois professores do Karatê são muito responsáveis. Quando o Iago não vem, eles ligam [telefonam] para saber o que aconteceu. Incentivam o aluno a estudar para poder participar do Karatê”, afirma a diarista.
Melhor idade
Quem pensa que os projetos da BCS Fazenda Coutos contemplam somente aos jovens está enganado. Aproximadamente 130 idosos participam de atividades de recreação, alongamento, ginástica localizada e exercícios aeróbicos oferecidos pelo projeto Vida Leve, nos bairros de Fazenda Coutos e Paripe.
Aos 62 anos, dona Ildethe Maria da Conceição, moradora de Fazenda Coutos I, participa das aulas às segundas, quartas e sextas-feiras. “Além do exercício físico, eles cuidam da saúde da gente, aferindo nossa pressão. Sempre tem palestras boas para nos ensinar muitas coisas que a gente não sabe sobre saúde, segurança”.
Redução de Crimes
Em 2011, ano anterior ao da implantação da BCS Fazenda Coutos, que é subordinada à 19ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), foram registrados 27 homicídios no bairro. Após a inauguração da base, a média anual não alcança a marca de oito CVLIs. De acordo com a comandante da unidade, tenente PM Carla Sousa, a intenção é cada vez mais desenvolver estratégias de prevenção aos crimes contra a vida.
“Envolvermos com esta comunidade é nos envolver, sim, com os problemas dela. De uma forma criativa e integrada à própria comunidade, estamos tentando interagir, trazendo uma proposta real de fazer segurança pública de forma conjunta. É um grande desafio, mas tem sido gratificante, principalmente, pelos resultados”, afirma a comandante.
 
Patrulha Comunitária
Com foco na redução da violência doméstica e nas unidades públicas de ensino, a Patrulha Comunitária também tem contribuído para o êxito da atuação da Polícia Militar da Bahia (PMBA) no bairro de Fazenda Coutos e adjacências. “A Patrulha Comunitária faz um trabalho de ronda escolar, mediação [de conflitos], palestra e prevenção ao uso de drogas, por meio do Proerd [Programa Educacional de Resistência às Drogas]. Após o registro de uma ocorrência que tenha resultado em um encaminhamento à delegacia especializada, o policial retorna ao lar onde ocorreu o evento para ver como estão as coisas, fazer as orientações, que pode ser encaminhamento a um Cras, a um balcão de justiça ou assistência social. É um trabalho permanente de prevenção e integração com a comunidade”, explica Carla Sousa.
Repórter: Jhonatã Gabriel
SECOM

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