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Postado em 19/01/2016 8:11

Ambulantes relatam truculência de guardas municipais e fiscais da Semop no bairro de Itapuã

Trabalhadores realizaram protesto no bairro na última sexta-feira (15).

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“Nós só queremos trabalhar”. Esta é a frase mais repetida pelos vendedores ambulantes da nova orla de Itapuã ao se referirem as ações dos fiscais da Secretaria de Municipal de Ordem Pública (Semop). As queixas se estendem ainda as ações da guarda municipal, acusada de truculenta pelos trabalhadores, e ao prefeito ACM Neto, que não estaria cumprindo com a promessa feita durante a inauguração do local, em outubro de 2015.

“O prefeito ACM Neto veio aqui cheio de palavras bonitas no dia da inauguração, disse que não queria ver nenhum ambulante parado, que ia dar oportunidade para gente e agora o que recebemos? O rapa [termo pejorativo atribuído aos fiscais da Semop] direto aqui para apreender nossas mercadorias”, desabafou um vendedor que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Medo este estampado nos rostos apreensivos e depoimentos apavorados dos trabalhadores dados a equipe do Varela Notícias que esteve na região da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Itapuã. “Na sexta-feira (15) eles chegaram aqui com os guardas municipais todos armados, batendo na gente como se fossemos ladrões. Era cassetete, arma, spray de pimenta uma coisa horrível. Não respeitaram idosos, nem crianças, nem uma vendedora grávida que acabou caindo no meio do confusão”. relatou outro ambulante.

Protesto

Por conta da ação violentada guarda municipal, segundo ambulantes, os vendedores decidiram fazer uma manifestação e fecharam a via em frente a igreja na última sexta-feira. Depois de terem suas mercadorias apreendidas e, de acordo com relatos, sofrerem agressões, os trabalhadores atearam fogo em pneus e placas bloqueando a passagem de carros.

“A gente queria chamar atenção da Semop e da prefeitura para a nossa situação. Isso aqui é um absurdo. A gente vem pra cá tentar ganhar o pão de cada dia e somos agredidos, temos nossas mercadorias levadas”, contou um ambulante sem se identificar.

Além dos guardas municipais, os trabalhadores afirmaram que também sofreram ameaças dos policiais militares acionados para conter a manifestação. “Os PM’s falaram que se não encerrasse logo o protesto iam descer a madeira em todo mundo porque era ordem de cima. Tinha que acabar e liberar o trânsito”, continuou.

Licença

De acordo com a Semop, os fiscais apreendem as mercadorias de vendedores que não possuem licença para comercialização de produtos. Por meio de nota, a secretaria informou que “foram apreendidos carros de mão, isopor, bebida armazenada em garrafas de vidro, proibições já conhecidas pelos vendedores. Devido denúncias da própria comunidade, houve reunião com associação de comerciantes e representantes da Semop visando ordenar a área que foi recém-inaugurada”.

Entretanto, os vendedores reclamam que o processo para conseguir a licença junto ao órgão não funciona. “Eu estou desde o ano passado tentando conseguir a licença para trabalhar. Paguei ao todo cerca de R$ 45 e até hoje não me deram a liberação. Eu tenho aqui um protocolo que eles disseram que era provisório, mas quando o “rapa” chega aqui e eu apresento o documento eles dizem que não serve de nada e levam minha mercadoria”, desabafou um vendedor.

A situação é comum no local. Entre os vendedores que deram depoimentos ao VN, apenas duas ambulantes estavam licenciadas. Os demais, apesar de terem interesse em regularizar a situação afirmam que não conseguem. “Eu tenho mais de 10 anos trabalhando aqui em Itapuã como vendedora e nunca consegui a licença para trabalhar. Mas tem gente, que por causa de conhecimento na prefeitura, consegue a licença rapidinho”, declarou uma trabalhadora.

Mercadoria apreendida

Após a apreensão das mercadorias por parte dos fiscais da Semop, o material é enviado para o Setor de Guarda e Bens (Segub), localizado na avenida San Martin, ao lado do Colégio Luiz Eduardo Magalhães. “As vezes nós fazemos um investimento, compramos no cartão de terceiros para ir pagando e eles chegam aqui e levam tudo. A gente fica sem a mercadoria e sem ter como pagar a dívida”, conta uma ambulante que teve o isopor quebrado na última sexta-feira.

Outra quexia dos vendedores é que algumas vezes não é possível recuperar o material levado pelos fiscais. “As vezes nós vamos lá e não encontramos nada do que foi levado e ficamos no prejuízo. Já teve casos de que os fiscais entram na kombi aqui e quando chegam lá na frente repassam o material para outras pessoas”, denunciou a vendedora.

Com informações do Varela Notícias.

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